Portalexane – 27/01/2010
Tom Szaky é um jovem de origem húngara que abandonou a renomada universidade americana de Princenton, nos Estados Unidos, para criar uma empresa que tinha o seguinte propósito: transformar lixo em novos produtos. A idéia do negócio surgiu em 2001, quando Szaky descobriu que “Marley”, um pezinho de maconha que ele havia deixado sob os cuidados de um amigo, estava verde e frondoso graças a muito esterco de minhoca. Nascia ali o primeiro produto da TerraCycle – um adubo 100% verde que vinha em embalado em garrafas usadas de PET. O próximo passo foi começar a fabricar sacolas, mochilas, cadernos e uma série de outros itens a partir de embalagens descartadas de alimentos, como saquinhos de salgadinhos e de barrinhas de cereal. Isso, é claro, com o consentimento e apoio das empresas fabricantes desses produtos, como Kraft e Pepsico, que viram na idéia de Szaky uma ótima oportunidade para dar um destino correto para os seus resíduos – que até então iam parar em lixões e aterros sanitários.
Carlos Ricardo, vice-presidente de marketing da Pepsico no Brasil, contou que estava ajudando a empresa a se instalar aqui.
Até agora, a empresa fabricava no Brasil, com a ajuda de uma ONG de Curitiba, a Solidarium, vários artigos a partir de embalagens de salgadinhos da Pepsico, como Doritos, Ruffles e Fandangos, e só era possível comprá-los em lojas do Walmart. Em breve, a TerraCycle também começará a fabricar mochilas e outros itens com embalagens descartadas de Tang, marca de suco em pó da Kraft. O propósito da visita de Zakes – e também de Tom Szaky, que também chega ao Brasil no final dessa semana – é negociar com outras empresas de bens de consumo e varejistas para ampliar a atuação da TerraCycle no Brasil. “Vamos nos encontrar com gente da Johnson & Johnson, da Nestlé, do Pão de Açúcar e do Carrefour”, diz Zakes, que não é um executivo típico.
Segundo Zakes, a TerraCycle registrou o seu primeiro lucro no último trimestre do ano passado e deverá fechar 2010 no azul. Mas o viés ambiental e social do negócio é muito forte. Quando o site da TerraCycle no Brasil entrar no ar *pra valer no início da próxima semana, escolas públicas de todo o país e ONGs poderão se cadastrar para coletar embalagens descartadas de alimentos. Em troca, elas ganharão alguns centavos de real por cada embalagem enviada pelo correio que, a propósito, será pago pela empresa. Nos Estados Unidos, onde esse modelo de coleta já está implantando há cerca de dois anos, cerca de 60 000 escolas e entidades estão cadastradas. “Além do incentivo financeiro, as escolas participam porque enxergam na iniciativa uma ótima oportunidade de trabalhar uma série de questões ambientais com as crianças”, diz Zakes.
* o endereço do site é www.terracycle.com.br e já é possível acessá-lo, mas alguns ajustes ainda estão sendo feitos
Acessado em: 28/01/2010


