Ecodesenvolvimento – 04/11/2008
Uma pequena loja da Vila Mariana que vendia produtos da região da Amazônia e arranjos de folhas tropicais. Esse foi o início do Grupo Eco, que hoje é modelo de sustentabilidade e empreendedorismo social em todo o Brasil. A receita para tamanha transformação e uma atuação de sucesso da empresa parece simples: investimentos em matéria-prima renovável, aliados a uma política de incentivo às comunidades parceiras. Uma prova concreta de que o desenvolvimento sustentável tem tudo a ver com os negócios.
Atual presidente do Grupo Eco, Davis Tenório é um apaixonado pela região amazônica e está sempre atento quando o assunto é a sustentabilidade. O negócio cresceu rapidamente devido ao aumento da demanda corporativa por serviços e produtos oriundos de comunidades espalhadas pelo país, como decoração tropical e bufê orgânico, que fez com que a empresa mudasse seu posicionamento em relação ao mercado, atendendo exclusivamente aos pedidos das corporações.
Algodão Natural gera renda em Campina Grande-PB/Foto: divulgação
Atualmente, o Grupo Eco oferece uma linha com mais de 100 produtos sustentáveis, com destaque para o primeiro e único bufê sustentável certificado pelo Instituto Biodinâmico (IBD) no Brasil, produzido somente com alimentos orgânicos, que inclui desde pães, até bolos, geléias e pastas. Segundo as normas do IBD, para ser considerado orgânico, o bufê precisa ser composto de 95% de ingredientes orgânicos, sem nenhum tipo de agrotóxico. Ao ser servido em eventos, o atrativo faz muito sucesso e ainda ajuda a melhorar a imagem da empresa que contratou o bufê.
Além do bufê sustentável, o Grupo Eco comercializa outros produtos promocionais, como camisetas, utensílios gerais, tábuas de madeira para churrasco, bolsas e bonés. Toda essa produção utiliza materiais renováveis, certificados por instituições ambientais e é proveniente de comunidades empreendedoras ou de manejo florestal. O trabalho realizado junto a essas comunidades oferece capacitação, criação de novas matérias-primas e peças, e otimização das produções para uma maior qualidade dos produtos.

Cerâmica da Serra da Capivara-PI valoriza a cultura local/Foto: divulgação
Entre os projetos do Grupo Eco, destacam-se o da Serra da Capivara, no Piauí, onde a cerâmica artesanal aproveita a grande quantidade de matéria-prima da região e onde está a maior coleção de desenhos rupestres do mundo, com 30 mil pinturas catalogadas. Por lá, canecas e xícaras reproduzem as gravuras do lugar. Dessa forma, além de criar novas formas de subsistência para a população local, a empresa ajuda a preservar e a valorizar a história do Parque Serra da Capivara.
Outra iniciativa de destaque do Grupo Eco foi feita em parceria com a empresa Ketzal, em Atibaia-SP. Lá, 50 famílias que vivem na periferia estão cadastradas num trabalho artesanal feito a partir de papel reciclado. Além disso, os artesãos podem trabalhar em casa, estando perto dos filhos e de suas atividades domésticas. Eles recebem um curso semanal de capacitação para aprofundarem o aprendizado técnico.
O desafio do preço dos orgânicos
Os alimentos orgânicos são mais caros do que os tradicionais, mas esse fato não significa dizer que o Grupo Eco não venceu também este desafio. “Como a gente trabalha diretamente com produtor, reduzimos esse preço em 20%. Desta forma, repassamos isso para nosso cliente, diminuindo em 20% o custo. Então, apesar de ser um produto orgânico, somos competitivos porque conseguimos comprar diretamente dos produtores”, revelou Tenório. Resultado: a procura pelo bufê cresce, em média, 40% ao ano desde 2005.
Disponível em:
http://www.ecodesenvolvimento.org.br/ecomanagement/uma-pequena-loja-que-virou-uma-empresa-referencia
Acessado em: 21/01/2010

