Recentemente a Revista Galileu fez uma reportagem especial falando sobre os O Fim dos Mitos Verdes:
A matéria fala sobre várias noções erradas que temos quando o assunto é ser ambientalmente correto. Às vezes, ser ambientalmente correto nem sempre é a melhor opção para ser ambientalmente correto.
Um exemplo dado pela reportagem fala sobre o consumo de alimentos locais: a produção de alimentos perto de onde moramos pode produzir mais carbono do que o alimento vindo de longe, que trabalha com grandes produções dentro de uma missão ambiental fiscalizada. Assim, desde que a empresa produtora do alimento siga pactos que garantem que ela é sustentável, ela pode ser a melhor escolha diante de produtoras locais.
O assunto é polêmico, envolve políticas internacionais e consenso científico. O importante é sermos conscientes de que nossas atitudes para ajudar na preservação do planeta não vai necessariamente salvar o planeta inteiro, mas sim a condição dele ser habitável para nós, seres humanos. E, dentre tudo isso, o caminho mais próximo para se chegar em uma solução continua sendo a redução de carbono.
Criar um imposto sobre CO2 pode ser melhor. O mercado de carbono é um mecanismo estabelecido no Protocolo de Kyoto, de 1998. O documento traçou limites máximos para emissão anual de poluentes para os países que o assinaram (quase todos os desenvolvidos, exceto os Estados Unidos) e esses países impuseram limites de emissão às suas empresas. Se elas os ultrapassarem, podem comprar uma cota de outra empresa, dentro ou fora do país, que tenha conseguido baixar suas emissões comprovadamente. Em 2009, esse comércio movimentou US$ 144 bilhões.
Porém, esse tipo de transação praticamente vende às empresas o direito de poluir. “Tem que ser muito fiscalizado, porque pode ser usado para justificar a não-ação”, diz Tasso Azevedo, assessor de floresta e clima do Ministério do Meio Ambiente. E se o mercado funcionar perfeitamente, só irá abater 5% das emissões. “O que é pífio”, diz o economista especializado em desenvolvimento sustentável José Eli da Veiga. Ele defende a criação de um imposto sobre emissão de CO2, o que já foi adotado em países como Suécia, Noruega, Holanda e Finlândia. A taxa incidiria sobre usinas ou refinarias, que passariam parte dos custos aos consumidores. A conta de luz aumentaria. Mas o dinheiro arrecadado com os impostos poderia ser distribuído para a população. O valor seria dividido em partes iguais. Assim, cada cidadão receberia uma média do imposto pago no país. Quem tivesse consumido menos energia e, consequentemente, devido menos imposto, sairia no lucro, já que pagou um valor menor do que o que recebeu depois. Apagar a luz seria um bom negócio.


